Canção para José da Lata

Livre como um potro na luzerna,
De erva enfeitou os seus cabelos,
Fez da vida inteira um barco a remos,
com ternura nos artelhos!


De charamba e bravos pelo ombro,
cantou, com o peito, a ilha nua.
Fez com que o sol namorasse a lua.
Deste povo, foi assombro.

Da sua alegria fez viola,
Que tocou no adro da tristeza,
Da sua poesia, a camisola
Que serviu à nossa mesa.

Foi sorriso aberto,
Mar e flor,
Campo de erva fresca,
Bailador!
Foi pastor de estrelas,
Pão de bodo;
Foi poeta-ilha,
Voz do povo!

Namorou a ilha à maré-cheia,
Deu-lhe um ramo ardente de boninas
Nossa dor bailou, em sapateia,
De galochas pequeninas.

Andou nas touradas e brianças,
Bailou nos terreiros (que maravilha!).
Foi mestre da vida e das danças,
Zé da Lata é esta ilha!



(Carlos Alberto Moniz/Álamo De Oliveira/Real Extudantina dos Açores)